📘 Resoluções das 30 questões — abre só as que você errou
Primeiro tenta entender sozinha olhando o seu caderno. Se não sair, abre aqui a resolução daquela questão. Não precisa ler as 30!
Matemática (1 a 15)
Resolução — Questão 1 (a área desmatada na malha)
🎯 O que ela quer: comparar as áreas das três regiões coloridas — vermelha, amarela e azul — contando quadradinhos da malha. Só uma das cinco frases é verdadeira.
1Aqui vale um alívio: você não precisa dos 7 km. Como todas as regiões estão na mesma malha, comparar em "quadradinhos" dá o mesmo resultado que comparar em km². O 7 km está lá só para assustar.
2Triângulo azul. Ele encosta em 3 quadradinhos deitados e 4 em pé. Todo triângulo é metade do retângulo que cabe em volta dele: \[\frac{3 \times 4}{2} = 6 \text{ quadradinhos}\]
3Triângulo amarelo. A parte de cima dele mede 6 quadradinhos deitados e ele desce 3 quadradinhos até a pontinha: \[\frac{6 \times 3}{2} = 9 \text{ quadradinhos}\]
4Agora compara amarelo com azul: \[\frac{\text{amarelo}}{\text{azul}} = \frac{9}{6} = \frac{3}{2}\] O amarelo é \(\frac{3}{2}\) do azul — ou seja, uma vez e meia o azul.
✅ Resposta: letra A
5Conferindo as outras. O
vermelho é um trapézio: 4 quadradinhos em cima, 6 embaixo, 7 de altura → \(\frac{(4+6)}{2} \times 7 = 35\) quadradinhos.
B ✘ \(\frac{2}{3}\) seria o azul em relação ao amarelo, está de trás pra frente · C ✘ o dobro do amarelo seria 18, e o vermelho é 35 · D ✘ o azul é \(\frac{6}{9} = \frac{2}{3}\) do amarelo, não a metade · E ✘ 6 é diferente de 9.
💡 Atalho de prova: triângulo na malha = metade do retângulo que o cerca. Conta quantos quadradinhos ele tem de largura e de altura, multiplica e divide por 2. Não precisa contar quadradinho por quadradinho.
⚠️ Escorregão comum: perder tempo multiplicando tudo por 49 km² (7 × 7). Quando a pergunta compara duas áreas da mesma malha, o tamanho do quadradinho se cancela.
Resolução — Questão 2 (os troncos cortados em pedaços iguais)
🎯 O que ela quer: cortar três troncos (810 cm, 540 cm e 360 cm) em pedaços todos do mesmo tamanho, usando o menor número possível de pedaços. Quantos pedaços saem no total?
1Menos pedaços = cada pedaço o maior possível. E esse tamanho tem que servir para os três troncos ao mesmo tempo, sem sobrar nada. Isso é o MDC (máximo divisor comum).
2Um jeito fácil: os três terminam em zero, então dá pra dividir todos por 10 de cara. \[810 \div 10 = 81 \qquad 540 \div 10 = 54 \qquad 360 \div 10 = 36\] Agora, 81, 54 e 36 são todos da tabuada do 9: \(9 \times 9 = 81\), \(9 \times 6 = 54\), \(9 \times 4 = 36\).
3Então o maior pedaço mede \(10 \times 9 = 90\) cm.
4Quantos pedaços de 90 cm saem de cada tronco?
| 810 ÷ 90 | 9 pedaços |
| 540 ÷ 90 | 6 pedaços |
| 360 ÷ 90 | 4 pedaços |
\[9 + 6 + 4 = 19\]
✅ Resposta: letra A — 19 pedaços
💡 Atalho de prova: quando a questão fala em repartir em partes iguais, do maior tamanho possível, é MDC. Quando fala em se encontrar de novo, ao mesmo tempo, é MMC. Guarde essas duas frases.
⚠️ Escorregão comum: responder 90 (que é o tamanho do pedaço) em vez de 19 (que é a quantidade de pedaços). Releia a pergunta antes de marcar.
Resolução — Questão 3 (quantos km o drone pulveriza)
🎯 O que ela quer: primeiro resolver a expressão (que dá os km de 1 hora) e depois responder quantos km em 2 horas.
1Resolve o
de cima primeiro. Multiplicação antes de subtração: \[0{,}2 \times 0{,}7 = 0{,}14 \qquad 4 \times 0{,}01 = 0{,}04\] \[0{,}14 - 0{,}04 = 0{,}10\]
Lembrete de decimal: \(2 \times 7 = 14\), e como havia uma casa depois da vírgula em cada número, o resultado fica com duas casas: 0,14.
2Agora o de baixo: \[0{,}5 \times 0{,}2 = 0{,}10\]
3A barra de fração é uma divisão: \[0{,}10 \div 0{,}10 = 1\] Um número dividido por ele mesmo dá 1. Então o drone faz 1 km em 1 hora.
4A pergunta é sobre 2 horas: \[1 \times 2 = 2 \text{ km}\]
✅ Resposta: letra D — 2 km
💡 Atalho de prova: em fração de expressões, resolve o de cima inteiro, depois o de baixo inteiro, e só no fim divide. Nunca corte números "pela metade" da conta.
⚠️ Escorregão comum: parar no 1 e marcar a letra E. O 1 era 1 hora; a pergunta pediu 2 horas. Essa questão tem um passo escondido depois da conta.
Resolução — Questão 4 (subiu 20%, depois caiu 20%)
🎯 O que ela quer: o preço sobe 20% e depois cai 20% sobre o preço novo. No fim, ele volta ao que era?
1Quando a questão não dá o preço, invente um fácil: R$ 100. Funciona porque a resposta é em porcentagem.
2Sobe 20%: \[20\% \text{ de } 100 = 20 \qquad 100 + 20 = 120\]
3Agora cai 20%, mas de 120, não de 100 — é aqui que mora a pegadinha: \[20\% \text{ de } 120 = 24 \qquad 120 - 24 = 96\]
4Começou em 100 e terminou em 96: perdeu 4 de 100, ou seja, 4% menor que o preço inicial.
✅ Resposta: letra B — 4% menor que o valor inicial
💡 Atalho de prova: "inventar o 100" resolve quase toda questão de porcentagem sem valor. 10% de 100 é 10, 1% é 1 — as contas ficam de cabeça.
⚠️ Escorregão comum: achar que sobe 20 e desce 20 dá zero (letra A). Não dá, porque o desconto é calculado sobre um valor maior. Subir e descer a mesma porcentagem sempre termina abaixo do preço inicial.
Resolução — Questão 5 (o gráfico de pizza da tecnologia)
🎯 O que ela quer: das 5 frases sobre o gráfico, a verdadeira. Foram 250 000 pessoas, divididas em trabalho 43%, educação 20%, lazer 13%, informação 20% e relacionamento 4%.
1Antes de ler as frases, transforma cada fatia em gente. O truque:
1% de 250 000 é 2 500 (é só dividir por 100).
| trabalho 43% | 107 500 |
| educação 20% | 50 000 |
| lazer 13% | 32 500 |
| informação 20% | 50 000 |
| relacionamento 4% | 10 000 |
Com essa tabelinha pronta, cada frase vira uma conferida rápida.
CEducação + trabalho: \[50\,000 + 107\,500 = 157\,500\] Agora as três coisas que a frase afirma:
• 6 ordens? 157 500 tem 6 algarismos ✔ · 2 classes? 157 · 500, dois grupos de três ✔ · múltiplo de 12? \(157\,500 \div 12 = 13\,125\), divisão exata ✔
Tudo certo.
✔ Verdadeira.
✅ Resposta: letra C
Se quiser conferir por que as outras são falsas:
ARelacionamento (10 000) é \(\frac{2}{5}\) de educação (50 000)? \(\frac{2}{5}\) de 50 000 é 20 000. Na verdade é \(\frac{1}{5}\). ✘
BLazer = 32 500: tem 5 ordens e 2 classes. A frase inverteu tudo ("2 ordens e 6 classes"). ✘
DO dobro de trabalho já seria 215 000 — muito maior que os 50 000 de informação. ✘
E\((10\,000 + 50\,000 + 50\,000) - 107\,500 = 2\,500\). E 2% do total é 5 000. Como 2 500 é menos que 5 000, não passa de 2%. ✘
💡 Atalho de prova: em questão de gráfico com 5 afirmações, monte a tabelinha de todas as fatias antes de ler as alternativas. Você faz as contas uma vez só e depois é só conferir.
⚠️ Escorregão comum: confundir ordem (cada algarismo) com classe (cada grupo de 3). A alternativa B existe só pra pegar quem troca os dois.
Resolução — Questão 6 (usuários do app de corrida)
🎯 O que ela quer: em 2016 eram 748 usuários. Em 2019 houve um aumento de 103% em relação a 2016. Entre quais números está o total de 2019?
1Cuidado com a palavra aumento: o valor novo é o que já tinha mais os 103%. Não é "virou 103% de 748".
2Quebra o 103% em pedaços fáceis: \[100\% \text{ de } 748 = 748 \qquad 3\% = 1\% \times 3\] \[1\% \text{ de } 748 = 7{,}48 \Rightarrow 3\% = 7{,}48 + 7{,}48 + 7{,}48 = 22{,}44\]
3Junta tudo: o que já tinha (748), mais os 100% (748), mais os 3% (22,44):
\[\begin{array}{r} 748{,}00 \\ 748{,}00 \\ +\ \ 22{,}44 \\ \hline 1\,518{,}44 \end{array}\]
41 518,44 está entre 1517 e 1519.
✅ Resposta: letra A
💡 Confere no olho: "aumento de 103%" é quase dobrar. O dobro de 748 é 1 496, então o total tem que passar um pouquinho de 1 500 — isso confirma que você somou o que já tinha. Aqui as 5 alternativas estão coladinhas (todas entre 1 517 e 1 524), então não tem atalho: precisa da conta até a vírgula.
⚠️ Escorregão comum: calcular 103% de 748 (que dá 770,44) em vez de 748 mais 103%. "De" é o valor todo; "aumento de" é o que se soma.
Resolução — Questão 7 (o número do ônibus)
🎯 O que ela quer: o ônibus serve se cumprir as duas regras ao mesmo tempo — (1) todos os algarismos ímpares e (2) o número é divisível pelo algarismo das unidades (o último).
1Lembrando: ímpares são 1, 3, 5, 7 e 9. Se qualquer algarismo for par, o ônibus já está fora — nem precisa testar a segunda regra.
2Testa os números que aparecem nas alternativas:
| 53 | 5 e 3 ímpares ✔ · 53 ÷ 3 não é exato ✘ → não serve |
| 65 | o 6 é par ✘ → não serve |
| 45 | o 4 é par ✘ → não serve |
| 85 | o 8 é par ✘ → não serve |
| 71 | 7 e 1 ímpares ✔ · 71 ÷ 1 = 71 exato ✔ → serve |
| 31 e 51 | ímpares ✔ · dividir por 1 sempre dá exato ✔ → servem |
Para saber se 53 é divisível por 3, some os algarismos: 5 + 3 = 8. Como 8 não está na tabuada do 3, o 53 também não está.
3Agora é só ler as frases:
A ✘ o 65 tem o 6, que é par · B ✘ acerta no 45, mas erra no 85 (tem o 8) · C ✔ o 53 realmente não serve, e o 71 serve · D ✘ nenhum dos dois serve · E ✘ os dois servem, porque todo número é divisível por 1.
✅ Resposta: letra C
💡 Atalho de prova: comece caçando algarismo par nas alternativas. É o teste mais rápido e já derruba metade delas sem nenhuma divisão.
⚠️ Escorregão comum: esquecer que todo número é divisível por 1. Quem termina em 1 (como 71, 31 e 51) passa direto na segunda regra.
Resolução — Questão 8 (quantos metros Nicodemos caminha)
🎯 O que ela quer: ele dá 1 passo por segundo durante 15 minutos, e cada passo tem 60 cm. Quantos metros ele caminha?
1Quantos passos? Primeiro, quantos segundos tem 15 minutos: \[15 \times 60 = 900 \text{ segundos}\] Como é 1 passo por segundo, são 900 passos.
2Distância em centímetros: \[900 \times 60 = 54\,000 \text{ cm}\]
3A pergunta quer em
metros. Hora da tabela das unidades:
kmhmdammdmcmmm
← pra esquerda: ÷ 10 por casapra direita: × 10 por casa →
De cm até m são
2 casas pra esquerda → ÷ 10 ÷ 10 = ÷ 100: \[54\,000 \div 100 = 540 \text{ m}\]
✅ Resposta: letra A — 540 m
💡 Atalho de prova: dividir por 100 é andar a vírgula duas casas para a esquerda — ou, em número inteiro terminado em zeros, cortar dois zeros. 54 000 vira 540.
⚠️ Escorregão comum: multiplicar 15 × 60 e parar, achando que 900 é a resposta em metros. Tem dois passos escondidos aqui: os segundos e a troca de centímetro para metro.
Resolução — Questão 9 (o peso escondido do iPhone 13)
🎯 O que ela quer: descobrir quanto pesa o iPhone 13 (o peso que está tampado na tabela) e depois comparar esse peso com o dos outros aparelhos.
1A média é como juntar tudo num monte só e repartir igualzinho entre todos. Se a média dos 4 celulares é 176,5 g, é como se cada um pesasse 176,5 g. Então, juntos, eles pesam 4 vezes isso:
\[4 \times 176{,}5 = 706 \text{ g}\]
Esse 706 g é o peso dos quatro somados — o iPhone 13 já está dentro dele.
2Agora some os três pesos que a tabela mostra: iPhone X = 174 g, iPhone 11 = 194 g, iPhone 12 = 164 g.
\[\begin{array}{r} 174 \\ 194 \\ +\ \ 164 \\ \hline 532 \end{array}\]
3O que falta para chegar nos 706 g é justamente o iPhone 13:
\[\begin{array}{r} 706 \\ -\ \ 532 \\ \hline 174 \end{array}\]
O iPhone 13 pesa 174 g.
4Agora é só comparar 174 g com cada aparelho da tabela:
A ✘ 174 não é maior que 194 (o iPhone 11) · B ✘ 174 não é menor que 164 (o iPhone 12) · C ✘ 174 não é maior que 174, é o mesmo · D ✔ 174 g é exatamente o peso do iPhone X · E ✘ 174 não é igual a 164
✅ Resposta: letra D
💡 Atalho de prova: as alternativas D e E já te entregam dois candidatos prontos (174 e 164). Teste o D de cara: \(174 + 194 + 164 + 174 = 706\) e \(706 \div 4 = 176{,}5\). Bateu com o enunciado, acabou a questão.
⚠️ Escorregão comum: somar só os três pesos que aparecem e dividir por 3, ou dividir 176,5 por 4. Não dá certo porque a média de 176,5 g já foi calculada com o iPhone 13 dentro — ele está escondido na conta, não de fora dela.
Resolução — Questão 10 (a tela 2% maior)
🎯 O que ela quer: a tela do iPhone 13 tem a mesma largura da tela do iPhone X (7,0 cm), mas a área dela é 2% maior. De quantos milímetros o comprimento precisou crescer?
1Primeiro, a área da tela do iPhone X. O enunciado dá a fórmula: área = comprimento × largura.
\[14{,}4 \times 7 = 100{,}8 \text{ cm}^2\]
2Quanto é 2% de 100,8? Por cento quer dizer "de cada cem". Então divida por 100 para achar 1%, e multiplique por 2:
\[100{,}8 \div 100 = 1{,}008 \qquad 1{,}008 \times 2 = 2{,}016\]
A área nova é \(100{,}8 + 2{,}016 = 102{,}816 \text{ cm}^2\).
3A largura continua 7 cm. Para achar o comprimento novo, faça o caminho de volta: divida a área pela largura.
\[102{,}816 \div 7 = 14{,}688 \text{ cm}\]
4Atenção: a pergunta não é o comprimento novo, é quanto ele cresceu. Então subtraia o antigo:
\[\begin{array}{r} 14{,}688 \\ -\ 14{,}400 \\ \hline 0{,}288 \end{array}\]
Cresceu 0,288 cm.
5A resposta tem que estar em milímetros, e a conta está em centímetros. Use a tabela das unidades — de cm para mm é uma casa para a direita, então multiplica por 10:
kmhmdammdmcmmm
← pra esquerda: ÷ 10 por casapra direita: × 10 por casa →
6\[0{,}288 \times 10 = 2{,}88 \text{ mm}\]
✅ Resposta: letra B
💡 Atalho de prova: como a largura não muda, aumentar a área em 2% é a mesma coisa que aumentar só o comprimento em 2%. Dá para pular tudo e fazer uma conta só: 2% de 14,4 cm = \(14{,}4 \div 100 \times 2 = 0{,}288\) cm = 2,88 mm. Guarde essa ideia: quando um lado do retângulo fica parado, a área cresce na mesma porcentagem que o outro lado.
⚠️ Escorregão comum: a alternativa A (14,688 mm) é uma armadilha dupla: ela usa o comprimento novo inteiro em vez do aumento, e ainda troca a unidade de lugar. A alternativa D (2,016) é o "2% da área" que apareceu no passo 2, que também não é a resposta. E tem o erro clássico de parar em 0,288 e não passar de cm para mm.
Resolução — Questão 11 (o próximo múltiplo de 7)
🎯 O que ela quer: entre os cinco números das alternativas, qual é o menor que é múltiplo de 7 e ao mesmo tempo maior que 4 580 247.
1Pense nos múltiplos de 7 como os degraus de uma escada em que cada degrau mede 7: 7, 14, 21, 28… Eles andam sempre de 7 em 7, nunca de 5 ou de 8.
2O enunciado já te deu de presente que 4 580 247 é múltiplo de 7. Ou seja, você já está em cima de um degrau. Então o próximo degrau é só somar 7:
\[\begin{array}{r} 4\,580\,247 \\ +\ \ \ \ \ \ \ \ \ 7 \\ \hline 4\,580\,254 \end{array}\]
(Nas unidades: \(7 + 7 = 14\), escreve 4 e vai 1 para as dezenas: \(4 + 1 = 5\).)
3Confira as outras: elas estão a 8, 9, 11 e 12 passos do 4 580 247 — nenhum desses é um salto de 7, então nenhuma é múltiplo de 7.
A ✔ 4 580 254 = 4 580 247 + 7 · B ✘ + 8 · C ✘ + 9 · D ✘ + 11 · E ✘ + 12
✅ Resposta: letra A
💡 Atalho de prova: quando a questão te avisa que um número já é múltiplo de alguma coisa, ela está te poupando trabalho. O múltiplo seguinte é + 7 e o anterior é − 7. Você nunca precisa dividir o número gigante.
⚠️ Escorregão comum: começar a fazer a divisão de 4 580 247 por 7 na mão. Além de demorado, é onde o erro aparece — e a informação para evitar isso já estava escrita no enunciado. Outro escorregão: somar errado nas unidades e escrever 4 580 244 (esquecer o "vai 1").
Resolução — Questão 12 (a chance de acertar a senha)
🎯 O que ela quer: a probabilidade (a "chance") de acertar, logo na primeira tentativa, o número de dois algarismos que falta no fim da senha.
1Probabilidade é uma fração: em cima vai o número de casos que dão certo, embaixo vai o número de casos possíveis. É como uma rifa: quantos bilhetes premiados ÷ quantos bilhetes existem.
2Casos possíveis. O número é maior que 10 e menor que 71 — ou seja, vai de 11 até 70. Quantos números há aí dentro?
\[70 - 10 = 60\]
São 60 números possíveis. (Conta rápida: tira fora o 1 até o 10, que são 10 números, dos 70 → sobram 60.)
3Casos que dão certo. Desses 60, quais são divisíveis por 12? Vá contando de 12 em 12:
\[12 \quad 24 \quad 36 \quad 48 \quad 60\]
O próximo seria 72, que já passou de 71. Então são 5.
4Monte a fração e simplifique dividindo em cima e embaixo por 5:
\[\frac{5}{60} = \frac{1}{12}\]
✅ Resposta: letra C
💡 Atalho de prova: para contar os múltiplos de 12 sem listar, é só dividir: \(70 \div 12 = 5\) e sobra 10 → são 5 múltiplos de 12 até 70. Esse truque serve para qualquer "quantos múltiplos de X existem até Y".
⚠️ Escorregão comum: aqui o escorregão é grande e vale ler com calma. Muita gente pensa assim: "ele já sabe que o número é múltiplo de 12, então sobraram só 5 opções → a chance é \(\frac{1}{5}\)" — e marca a letra B. Esse raciocínio é bem razoável, e foi o primeiro que eu mesmo fiz ao resolver. Mas o gabarito oficial do CMB é a letra C. A banca contou como casos possíveis todos os 60 números do intervalo (de 11 a 70), e como casos favoráveis os 5 múltiplos de 12, chegando a \(\frac{5}{60} = \frac{1}{12}\). Regra prática para a prova: em probabilidade, "casos possíveis" = tudo que o intervalo permite; "casos favoráveis" = só os que obedecem à regra extra. Se numa questão dessas as duas leituras aparecerem nas alternativas, vá pela contagem do intervalo inteiro embaixo da fração.
Resolução — Questão 13 (a senha da fechadura eletrônica)
🎯 O que ela quer: resolver as três multiplicações de frações, simplificar cada resultado até ficar irredutível, e depois montar a senha de 6 dígitos na ordem que a tabela manda.
1Multiplicar fração é o mais fácil que existe: de cima com de cima, de baixo com de baixo. Não precisa igualar denominador, como na soma.
I\[\frac{2}{5} \times \frac{5}{9} = \frac{2 \times 5}{5 \times 9} = \frac{10}{45} = \frac{2}{9}\]
(Para simplificar, dividi 10 e 45 por 5.) → numerador 2, denominador 9.
II\[\frac{1}{2} \times \frac{2}{3} \times \frac{3}{4} = \frac{1 \times 2 \times 3}{2 \times 3 \times 4} = \frac{6}{24} = \frac{1}{4}\]
(Dividi 6 e 24 por 6.) → numerador 1, denominador 4.
III\[\frac{5}{8} \times \frac{4}{2} \times \frac{8}{5} = \frac{5 \times 4 \times 8}{8 \times 2 \times 5} = \frac{160}{80} = \frac{2}{1}\]
Deu 2 inteiros — e todo número inteiro também é uma fração: o 2 é \(\frac{2}{1}\). → numerador 2, denominador 1.
2Agora monte na ordem da tabela: primeiro os três numeradores, depois os três denominadores.
| Numerador I | Numerador II | Numerador III | Denominador I | Denominador II | Denominador III |
| 2 | 1 | 2 | 9 | 4 | 1 |
✅ Resposta: letra E
💡 Atalho de prova: dois atalhos. (1) Dá para cortar antes de multiplicar: em III, o 5 de cima corta com o 5 de baixo e o 8 de cima corta com o 8 de baixo, sobrando \(\frac{4}{2} = 2\) na hora. (2) Olhe as alternativas: depois de achar só os dois primeiros números da senha (2 e 1), a única que começa com 2 1 é a E. Você nem precisava terminar a expressão III.
⚠️ Escorregão comum: a ordem. A senha não é "numerador, denominador, numerador, denominador…" (isso daria 2 9 1 4 2 1, que nem está nas opções). Primeiro vêm os três de cima, depois os três de baixo. O outro escorregão é achar que III "não tem denominador" porque deu 2 inteiros e montar uma senha de 5 dígitos — o denominador é 1 e ele entra na senha.
Resolução — Questão 14 (o gabinete antigo e o atual)
🎯 O que ela quer: calcular o volume dos dois gabinetes e descobrir qual das cinco frases é a verdadeira.
1Primeiro, um cuidado: o modelo 1 está medido em centímetros e o modelo 2 em milímetros. Não dá para comparar assim — é como comparar o tamanho de duas caixas medindo uma com régua e a outra com palmos. Vamos passar tudo para centímetros. De mm para cm é uma casa para a esquerda, ou seja, ÷ 10:
kmhmdammdmcmmm
← pra esquerda: ÷ 10 por casapra direita: × 10 por casa →
2\[90 \text{ mm} = 9 \text{ cm} \qquad 210 \text{ mm} = 21 \text{ cm} \qquad 150 \text{ mm} = 15 \text{ cm}\]
3Volume do modelo 1 (45 cm × 18 cm × 42 cm). Faça em duas etapas:
\[45 \times 18 = 810\]
\[810 \times 42 = 810 \times 40 + 810 \times 2 = 32\,400 + 1\,620 = 34\,020 \text{ cm}^3\]
4Volume do modelo 2 (9 cm × 21 cm × 15 cm):
\[9 \times 21 = 189\]
\[189 \times 15 = 189 \times 10 + 189 \times 5 = 1\,890 + 945 = 2\,835 \text{ cm}^3\]
5As alternativas falam em cubos de 1 decímetro de lado. Quanto vale um desses em cm³? O lado tem 1 dm = 10 cm, então o cubo é \(10 \times 10 \times 10 = 1\,000 \text{ cm}^3\). É por isso que, na tabela de volume, cada casa vale 1 000 (e não 10):
m³dm³ = Lcm³ = mL
← pra esquerda: ÷ 1000 por casapra direita: × 1000 por casa →
6Então 34 cubos valem \(34 \times 1\,000 = 34\,000 \text{ cm}^3\), e 2 cubos valem \(2 \times 1\,000 = 2\,000 \text{ cm}^3\). Agora é só testar cada frase.
A"Modelo 1 superior a 12 vezes o modelo 2": \(12 \times 2\,835 = 34\,020\). Deu exatamente igual ao modelo 1 — igual não é "superior". ✘
BPelo mesmo motivo, também não é "inferior". ✘
C"Modelo 1 superior a 34 cubos": \(34\,020\) contra \(34\,000\). É maior, por 20 cm³ de diferença. ✔
D"Modelo 2 inferior a 2 cubos": \(2\,835\) contra \(2\,000\). O modelo 2 é maior, não menor. ✘
E"Modelo 1 igual a 34 cubos": 34 020 não é 34 000. Quase, mas não. ✘
✅ Resposta: letra C
💡 Atalho de prova: repare que C e E falam do mesmo número e se contradizem ("superior a 34 cubos" × "igual a 34 cubos"). Quando duas alternativas brigam entre si sobre a mesma coisa, a resposta quase sempre está entre elas — então calcule primeiro o modelo 1 (34 020), compare com 34 000, e pronto. Nem precisaria calcular o modelo 2.
⚠️ Escorregão comum: dois erros matam essa questão. (1) Multiplicar centímetro com milímetro sem converter — o número sai gigante e nada bate. (2) Achar que 1 dm³ = 10 cm³. Em volume cada casa vale 1 000, porque são três medidas mudando ao mesmo tempo: \(10 \times 10 \times 10\). E ainda tem o detalhe fino: 34 020 e 34 000 são quase iguais, então é preciso comparar dígito por dígito, sem arredondar.
Resolução — Questão 15 (as três luzes acendendo juntas)
🎯 O que ela quer: as três luzes acenderam juntas agora. Depois de quanto tempo elas voltam a acender todas ao mesmo tempo?
1Cada luz acende nos seus múltiplos de tempo:
🔴 vermelha (18 min): 18, 36, 54, 72, 90…
🔵 azul (12 min): 12, 24, 36, 48, 60…
🟡 amarela (10 min): 10, 20, 30, 40, 50…
Elas só se reencontram num minuto que apareça nas três listas. O primeiro desses é o MMC (menor múltiplo comum).
2Para achar o MMC, divida os três ao mesmo tempo pelos números primos (2, 3, 5, 7…), até sobrar só 1 em todos:
| 18, 12, 10 | ÷ 2 |
| 9, 6, 5 | ÷ 2 |
| 9, 3, 5 | ÷ 3 |
| 3, 1, 5 | ÷ 3 |
| 1, 1, 5 | ÷ 5 |
| 1, 1, 1 | acabou |
3Agora multiplique os números da coluna da direita:
\[2 \times 2 \times 3 \times 3 \times 5 = 180\]
As luzes se reencontram depois de 180 minutos.
4As alternativas estão em horas. Aqui não vale a tabela de ÷ 10: tempo anda de 60 em 60, porque 1 hora tem 60 minutos.
\[180 \div 60 = 3 \text{ h}\]
✅ Resposta: letra D
💡 Atalho de prova: dá para testar as alternativas em vez de fazer o MMC. Passe tudo para minutos e veja qual é divisível pelos três (18, 12 e 10): 1h30 = 90 (90 ÷ 12 não dá exato ✘) · 2h = 120 (120 ÷ 18 não dá exato ✘) · 2h15 = 135 (ímpar, 12 nem cabe ✘) · 3h = 180 (180 ÷ 18 = 10 ✔, 180 ÷ 12 = 15 ✔, 180 ÷ 10 = 18 ✔) · 3h25 = 205 (não é par ✘). Só sobra a D.
⚠️ Escorregão comum: multiplicar \(18 \times 12 \times 10 = 2\,160\) e responder isso. Esse número realmente é um momento em que as três acendem juntas — mas está lá longe, depois de 36 horas. A questão pede o primeiro reencontro, e por isso é o menor múltiplo comum. O outro escorregão é dividir 180 por 100 ou por 10 na hora de virar horas: em tempo, é sempre ÷ 60.
Português (16 a 30)
Resolução — Questão 16 (quem está contando a história?)
🎯 O que ela quer: entre as cinco frases, qual descreve CERTO a história do Texto 1 — quem narra, onde acontece, em que tempo e qual é o assunto. As outras quatro têm algum erro escondido.
1Antes de tudo, duas palavras difíceis traduzidas:
• narrador = a "voz" que conta a história.
• narrador onisciente = a voz que sabe tudo ("oni" = tudo, "ciente" = que sabe). Ele não só vê o que acontece: ele entra na cabeça do personagem e conta o que ele sente e pensa. É como um narrador de videogame que mostra até a barra de vida do personagem.
2Agora procure no texto se a voz que conta sabe o que Raimundo sente por dentro. Sabe:
“Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam demais, aborrecia-se” (linhas 07 e 08)
“O viajante rondou por ali uns minutos, receoso de puxar conversa, pensando nos garotos que zombavam dele” (linhas 14 e 15)
Ninguém consegue ver de fora que outra pessoa está "receosa" ou "pensando em alguém". Só um narrador que sabe tudo conta isso. É exatamente o que a letra B diz: conhecemos Raimundo além das aparências (além do que dá para ver por fora).
3Repare também que a voz fala de Raimundo como “ele”, nunca como “eu”: “Havia um menino diferente dos outros meninos” (linha 2). Guarde isso — derruba a letra E.
✅ Resposta: letra B
A ✘ Diz que Tatipirun é onde os fatos acontecem exclusivamente (= só lá). Mas o Capítulo um inteiro se passa na cidade de Raimundo, com os vizinhos e os garotos da rua: “Os vizinhos mangavam dele” (linha 03). Uma palavra sozinha, “exclusivamente”, estraga a alternativa.
B ✔ O narrador sabe tudo e nos mostra o menino por dentro (linhas 07-08 e 14-15). É a única sem erro.
C ✘ Diz que a narrativa é autobiográfica (= o autor contando a própria vida). Não é: quem escreve é Graciliano Ramos, e a história é do menino Raimundo, contada em “ele”. Os fatos também seguem a ordem do relógio (um capítulo depois do outro), e não a bagunça das lembranças.
D ✘ A primeira metade está certa — tem mesmo um ser sem vida falando: “perguntou o tronco baixinho” (linha 35). Mas a segunda metade erra o assunto: o tronco que conversa é elemento de fantasia, não serve para falar de “direitos humanos”. O assunto do texto é ser diferente e ser aceito.
E ✘ Diz “foco narrativo em primeira pessoa” (= a história contada por um “eu”). O texto é em terceira pessoa: “Havia um menino…”, “Raimundo entristecia…”. Os “eu” que aparecem estão dentro das falas dos personagens, e fala de personagem não é o narrador.
💡 Atalho de prova: quando a pergunta fala em “narrador” ou “foco narrativo”, vá direto ao texto e procure o pronome: achou “eu” FORA das falas → primeira pessoa; só “ele/ela” → terceira pessoa. Depois pergunte: o narrador conta o que o personagem SENTE? Se conta, ele é onisciente (sabe tudo). Duas checagens de 10 segundos que matam duas alternativas.
⚠️ Escorregão comum: ler só o começo da alternativa, achar bonito e marcar. As letras A, C e D começam certas e erram no fim (“exclusivamente”, “autobiográfico”, “direitos humanos”). Leia a alternativa inteira até o ponto final antes de decidir.
Resolução — Questão 17 (a quem o “-lo” e o “-lhe” estão apontando?)
🎯 O que ela quer: os pedacinhos -lo (em “vê-lo”) e -lhe (em “examinou-lhe”) substituem o nome de alguém. Descubra de quem os dois estão falando.
1Pronome é uma palavra-atalho: em vez de repetir o nome, você troca por um pedacinho. “Vi o Raimundo” vira “vi-o”. Para achar de quem se trata, volte umas linhas e veja de quem o texto estava falando.
2Primeiro trecho: “Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores fugiam ao vê-lo” (linhas 05 e 06). Faça o teste: troque o pedacinho pelo nome. “Os garotos fugiam ao ver Raimundo” — faz sentido, e é o parágrafo inteiro falando dele (“deu para se assinar… Dr. Raimundo Pelado”, linha 05).
3Segundo trecho: “Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos” (linha 16). Quem examinou foi o rapazinho; então o “-lhe” é o dono da roupa e dos sapatos, que é o viajante do Capítulo cinco — Raimundo.
4E tem uma prova a mais, logo na linha seguinte: “Todos ali estavam descalços e cobertos de panos brancos…” (linha 17). Se todo mundo em Tatipirun está descalço, o único que tem sapatos para serem examinados é o visitante: Raimundo. Os dois pronomes apontam para a mesma pessoa.
✅ Resposta: letra E
A ✘ “todo” não é uma pessoa da história. No texto aparece “Todos ali estavam descalços” (linha 17), que são os moradores — e eles são quem olha, não quem é olhado.
B ✘ “gênio” aparece em “Era de bom gênio” (linha 05), mas ali gênio quer dizer jeito de ser, temperamento (ele não era brigão). Não é uma criatura mágica de lâmpada. Ninguém foge de ver um temperamento nem examina os sapatos dele.
C ✘ O tronco só aparece no Capítulo seis (linha 35). Os dois trechos da questão são das linhas 05, 06 e 16 — antes. Um pronome aponta para algo já dito, nunca para algo que vai aparecer 20 linhas depois.
D ✘ O rapazinho é quem faz a ação: “Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe…”. Quem examina não pode ser, na mesma frase, quem é examinado. E na linha 05 o rapazinho nem tinha entrado na história.
E ✔ Raimundo é o menino do primeiro trecho e o viajante calçado do segundo. Os dois pronomes são ele.
💡 Atalho de prova: quando a pergunta disser “o pronome em destaque se refere a…”, faça o teste da troca: apague o pronome, escreva no lugar o nome de cada alternativa e leia a frase em voz baixa. Quatro vão soar esquisitas; a que soar natural é a resposta. E lembre da regra do tempo: o pronome só pode apontar para algo que já apareceu ANTES no texto.
⚠️ Escorregão comum: escolher a palavra que está mais PERTO do pronome (aqui, “rapazinho”, coladinho no “-lhe”). Perto não quer dizer certo: o que vale é quem faz a ação e quem recebe a ação.
Resolução — Questão 18 (qual palavra NÃO é “zombar”?)
🎯 O que ela quer: “mangavam” quer dizer uma coisa. Entre as cinco palavras em destaque, ache a que está mais longe desse sentido. Atenção: aqui a resposta certa é a palavra DIFERENTE, não a parecida.
1Primeiro, descubra o sentido de “mangar” pelo próprio texto (é assim que se faz — você não precisa já saber a palavra): “Os vizinhos mangavam dele e gritavam: — Ó pelado!” (linha 03). Eles gritam um apelido para humilhar. Então mangar = zombar, tirar sarro, caçoar.
2Agora o presente que o texto te dá: o mesmo episódio é contado com palavras diferentes, e isso prova que elas são sinônimas.
“É que eles caçoaram de mim porque eu não conheço a Caralâmpia” (linha 36)
“Mas debocharam de mim porque eu não conheço a Caralâmpia” (linha 40)
É a mesma cena, duas palavras: caçoar = debochar. E “os moleques que faziam troça de mim” (linha 42) e “os garotos que zombavam dele na rua” (linha 15) contam a mesma coisa sobre a cidade dele. Ou seja: B, C, D e E são todas “zombar”.
3Sobra “aperrear”: “Quando o aperreavam demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo” (linhas 07 e 08). Aperrear (palavra bem do Nordeste) é amolar, importunar, encher a paciência, não largar do pé. Dá para aperrear alguém sem rir dele nenhuma vez — é só insistir até irritar. Por isso é a que mais se distancia de “mangar”.
✅ Resposta: letra A
A ✔ aperrear = importunar, amolar. A ideia central é irritar, não rir de. É a mais distante — e é o que a questão pede.
B ✘ zombar é praticamente o dicionário de “mangar”. Está pertíssimo, então não serve.
C ✘ caçoar = fazer piada de alguém. Mesmo sentido.
D ✘ debochar = zombar com desprezo. O texto até usa “debochar” e “caçoar” para a MESMA cena (linhas 36 e 40).
E ✘ fazer troça = fazer gozação. Mesmo sentido de novo.
💡 Atalho de prova: quando a questão pedir a palavra que “mais se distancia” do sentido, não caia procurando a mais certa — procure a intrusa. Junte as que são parecidas entre si (aqui, quatro viraram um grupo só de “zombar”) e a que ficou sozinha é a resposta. E o sentido você descobre pelo contexto: olhe o que acontece ANTES e DEPOIS da palavra na frase.
⚠️ Escorregão comum: ler rápido e marcar “zombavam” porque é a mais parecida com “mangavam”. A pergunta pediu o CONTRÁRIO. Sublinhe as palavras “mais se distancia” no enunciado antes de olhar as alternativas.
Resolução — Questão 19 (por que Raimundo inventou Tatipirun?)
🎯 O que ela quer: qual conclusão realmente cabe no Texto 1. “Concluir” aqui é juntar as peças que o texto deu — nunca inventar peça nova.
1Monte a linha do tempo do menino, só com o que está escrito:
(1) Rejeitam ele — “Os vizinhos mangavam dele e gritavam: — Ó pelado!” (linha 03) e “os garotos dos arredores fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores” (linhas 06 e 07).
(2) Ele fica sem ninguém — “Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só” (linha 09).
(3) Ele cria um mundo — “Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul” (linhas 11 e 12).
2Olhe bem a peça 3: no país que ele inventou, todo mundo é exatamente como ele — careca e com os olhos de duas cores. Ou seja, ele desenhou o único lugar do mundo onde ele não seria o esquisito. Isso é fugir da rejeição usando a imaginação — que é o que a letra D chama de “universo de fantasia como estratégia para esquivar-se da rejeição”. (“Esquivar-se” = desviar, escapar.)
✅ Resposta: letra D
A ✘ Diz que ele sofre gozação nos dois lugares “por razões idênticas” (= pelo mesmo motivo). Não é o mesmo motivo: em Cambacará é pela aparência (linhas 02 e 03); em Tatipirun é por não saber uma coisa — “debocharam de mim porque eu não conheço a Caralâmpia” (linha 40).
B ✘ Diz que o viajante é “bem diferente dos demais moradores” de Tatipirun. É o contrário da ideia do texto: lá ele é igualzinho a todo mundo, porque lá “não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul” (linhas 11 e 12). A diferença que sobra é só a roupa e os sapatos (linhas 16 e 17) — detalhe pequeno, longe de “bem diferente”.
C ✘ Acerta que o acham louco, mas erra o motivo. Não é pela aparência: é porque ele fala sozinho — “Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que ele estava malucando” (linhas 09 e 10). A aparência rendeu o apelido, não a fama de doido.
D ✔ Rejeitado → sem com quem falar → inventa Tatipirun, onde é igual aos outros. É a conclusão que as linhas 03, 09, 11 e 12 sustentam.
E ✘ O texto afirma o oposto, com todas as letras: “Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão… Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava” (linhas 04 e 05).
💡 Atalho de prova: alternativa de “conclusão” costuma ter duas partes: um FATO (que está no texto) e um MOTIVO/COMPARAÇÃO (“por causa de”, “por razões idênticas”, “por isso”). O fato quase sempre está certo — a armadilha mora no motivo. Então confira sempre a segunda metade, procurando no texto a frase que explica o porquê.
⚠️ Escorregão comum: marcar a letra C, porque “acham ele louco” está mesmo no texto e “aparência estranha” também. Só que o texto não liga uma coisa na outra. Duas informações verdadeiras, grudadas com um “por causa de” que o texto não autorizou, viram uma alternativa falsa.
Resolução — Questão 20 (a vírgula que faz lista)
🎯 O que ela quer: a vírgula tem vários serviços diferentes. Descubra que serviço ela faz na frase do enunciado e ache a alternativa em que ela faz o mesmo serviço.
1Leia a frase do enunciado: “Tinha o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada” (linhas 2 e 3). São três características do menino, uma atrás da outra: olho direito preto / olho esquerdo azul / cabeça pelada. A vírgula está fazendo o papel de “e” dentro de uma lista. Isso se chama enumeração (enumerar = ir listando).
2Teste rápido: se você puder trocar a vírgula por “e” sem estragar a frase, é lista.
“Tinha o olho direito preto e o esquerdo azul e a cabeça pelada” ✔ funciona.
3Agora aplique o mesmo teste na letra C: “Uma terra de gente feia, cabeluda, com olhos de uma cor só.” (linha 24) → “gente feia e cabeluda e com olhos de uma cor só” ✔ funciona. Três características em fila, igualzinho ao enunciado. E olhe que bonito: as duas frases estão listando o jeito do rosto de alguém — uma descreve Raimundo, a outra descreve o povo de Cambacará.
✅ Resposta: letra C
A ✘ “examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos” (linha 16). Aqui são duas vírgulas que funcionam como parênteses: elas isolam a palavra “admirado”, que é um comentário jogado no meio. Tire “admirado” e a frase continua de pé (“examinou-lhe a roupa e os sapatos”). Em lista, você não pode arrancar um item e fingir que nada aconteceu.
B ✘ “— Naturalmente, respondeu o outro” (linha 20). A vírgula separa a fala do personagem do pedacinho em que o narrador avisa quem falou. É o mesmo que “— Oi, disse ele”. Nada de lista.
C ✔ Lista de características, exatamente como no enunciado.
D ✘ “à aranha vermelha, amiga velha que me visita” (linhas 46 e 47). A vírgula abre uma explicação de quem é a aranha (isso se chama aposto). É um item só sendo explicado, não vários itens em fila.
E ✘ “Está aqui, vizinha.” (linha 47). A vírgula vem antes de quem está sendo chamado (isso se chama vocativo — de “vocação”, chamar). É como “Vem cá, mãe”. Chamar não é listar.
💡 Atalho de prova: vírgula em prova quase sempre cai em 4 serviços. Decore os apelidos e o teste de cada um: lista (troco a vírgula por “e” e funciona) · explicação (a vírgula abre um “ou seja, quem é isso”) · comentário no meio (vem em DUAS vírgulas e dá para arrancar) · chamado (tem um nome de gente/bicho a quem se fala). Faça o teste do “e” primeiro: ele resolve sozinho metade das questões.
⚠️ Escorregão comum: achar que qualquer vírgula é igual a qualquer vírgula e escolher a primeira que aparecer (a letra A, que até tem duas vírgulas bonitas). Conte quantas vírgulas há e pergunte “dá para trocar por E?” — esse é o único critério que separa a lista das outras.
Resolução — Questão 21 (“Todos diferentes, todos iguais”)
🎯 O que ela quer: o título do Texto 2 parece uma contradição (como dizer “está quente e está frio”). A questão pergunta: o que essa frase quer dizer, segundo o próprio texto?
1Não adivinhe: o autor explica o título logo no primeiro parágrafo. “À primeira vista esta afirmação pode parecer confusa, até contraditória, mas, por mais incrível que pareça, não o é, pois a coexistência destas características é possível” (linhas 2 a 4). Coexistência = as duas coisas existindo ao mesmo tempo, juntas. Ou seja: dá para ser diferente E igual ao mesmo tempo.
2Aí o texto separa em quê somos cada coisa:
• diferentes → no que se vê por fora: “diversidade de pessoas, costumes, línguas, crenças e culturas” (linha 6).
• iguais → no que está por dentro: “É a capacidade de pensar e refletir” (linha 13).
3E no último parágrafo ele fecha a conta numa frase só: “Portanto, somos diferentes por fora, mas, naquilo que nos torna semelhantes, somos iguais” (linhas 16 e 17). Compare com a letra E: “possibilidade de sermos iguais no que nos torna semelhantes”. É a mesma frase com outras palavras.
✅ Resposta: letra E
A ✘ “comparação inadequada” = comparação errada. Mas o autor diz que a frase não está errada: “pode parecer confusa, até contraditória, mas… não o é” (linhas 2 e 3).
B ✘ “transformação dos que são diferentes em iguais” — ninguém é transformado em nada. Já somos as duas coisas ao mesmo tempo (“a coexistência destas características é possível”, linhas 3 e 4).
C ✘ “diferentes, mas nunca iguais” — isso apaga metade do título. O texto afirma o contrário: “Somos todos homens, fato inegável… e é isso que nos torna iguais” (linhas 11 e 12).
D ✘ “equívoco ao usar as palavras” = o autor teria errado as palavras. Ele não errou — escolheu de propósito e gastou o texto inteiro explicando por quê.
E ✔ É a linha 16-17 reescrita: iguais naquilo que nos torna semelhantes.
💡 Atalho de prova: quando a questão pedir o sentido do TÍTULO ou de uma frase de abertura, procure a explicação em dois lugares certeiros: o primeiro parágrafo (onde o autor anuncia a ideia) e o último (onde ele fecha, geralmente começando com “Portanto”, “Assim”, “Por isso”). A resposta costuma estar quase copiada num desses dois.
⚠️ Escorregão comum: responder com a própria opinião (“ah, ninguém é igual a ninguém”) em vez de com o que o autor escreveu. Em prova de interpretação, quem manda é o texto — mesmo que você discorde dele.
Resolução — Questão 22 (o “aí” que não é lugar)
🎯 O que ela quer: na frase “é aí que está a nossa chave”, que ideia essa palavrinha passa? Cuidado: a resposta óbvia (“lugar”) é justamente a armadilha.
1Leia a frase inteira, sem cortar: “O que é que nos torna legítimos seres humanos? É a capacidade de pensar e refletir e é aí que está a nossa chave” (linha 13).
2Repare no que acontece: o autor já tinha respondido (“é a capacidade de pensar e refletir”) e, em seguida, aponta o dedo para essa mesma resposta e repete que é ali a chave. Ele não está dando informação nova — está martelando a que acabou de dar. É o mesmo que você dizer: “O segredo é treinar. É isso, ó, é aí que está.”
3Isso tem nome fácil: reforço (ou ênfase) — é como passar marca-texto na parte importante para o leitor não deixar passar. Exatamente o que a letra B descreve: “direciona e alerta o leitor a respeito do que deve ser compreendido” (direcionar = apontar para onde olhar).
4E por que NÃO é lugar? Faça o teste: se “aí” fosse lugar, dava para perguntar “aí onde? em que canto?” e apontar um lugar físico. Aqui não dá: “aí” aponta para uma ideia (a capacidade de pensar), não para um ponto do espaço. Chave, nessa frase, também não é chave de porta — é “a solução”.
✅ Resposta: letra B
A ✘ “lugar” — é o sentido mais comum de “aí” no dia a dia (“põe aí”), e por isso é a isca. Mas no texto não existe lugar nenhum: o “aí” retoma uma ideia dita na mesma linha.
B ✔ reforço: o autor repete e destaca a resposta que acabou de dar, para o leitor não perder o ponto principal.
C ✘ “explicação” — palavra que explica é do tipo “porque”, “pois”, “ou seja”. “Aí” não explica nada nem apresenta um motivo; só aponta de volta.
D ✘ “imprecisão” (= vago, sem clareza) — é o contrário do que acontece. Está claríssimo a que o “aí” se refere: à frase coladinha antes dele.
E ✘ “dúvida” — não há dúvida nenhuma. O autor está afirmando com toda a certeza qual é a chave. (Detalhe: na prova impressa esta última alternativa saiu com a letra “A” de novo, por erro de digitação — pela ordem, ela é a letra E.)
💡 Atalho de prova: quando a questão destacar uma palavrinha curta (aí, lá, então, assim, isso), não responda pelo sentido que ela tem no dia a dia. Pergunte: ela aponta para um lugar de verdade ou para uma ideia que já foi dita? Se aponta para uma ideia anterior, o sentido é retomada/reforço, não lugar.
⚠️ Escorregão comum: marcar “lugar” no automático, porque “aí” é palavra de lugar na conversa. Prova de interpretação testa o sentido dentro daquela frase, não o sentido do dicionário.
Resolução — Questão 23 (“não porque… mas porque…”)
🎯 O que ela quer: no trecho final do Texto 2, o autor dá DOIS motivos para respeitar os outros — e trata os dois de um jeito bem diferente. A questão pergunta qual conclusão sai dessa montagem.
1Copie o trecho e marque as peças: “Devemos respeitar os outros por mais que eles sejam diferentes, não porque está escrito na constituição e em tantos outros documentos, mas porque é um dever humano respeitar os outros” (linhas 17 e 18).
2Essa montagem “não porque A, mas porque B” é uma balança:
• o não (1) descarta o motivo A;
• o mas (3) traz o motivo que vale, o B;
• os dois porque (2 e 4) só avisam “aqui vem um motivo”.
É igual a dizer: “Eu estudo não porque minha mãe mandou, mas porque eu quero.” Quem ouve entende na hora qual motivo é o forte: o segundo.
3Agora troque pelas peças do texto:
motivo descartado (A) = estar escrito na constituição = a lei;
motivo que vale (B) = ser um dever humano.
Conclusão: o dever humano é um motivo mais forte que qualquer outro, até que a lei. É exatamente a letra C. (Nota: o autor não está dizendo que a lei é ruim nem que dá para desobedecê-la — está dizendo que, mesmo se a lei não existisse, você ainda deveria respeitar.)
✅ Resposta: letra C
A ✘ Diz que a constituição é a “razão principal”. É justamente o motivo que o não (1) jogou fora. Marcar A é ler a frase de trás para frente.
B ✘ Fala em “justificativas de caráter religioso”. Religião não aparece em lugar nenhum do Texto 2 — o autor fala de constituição, documentos e dever humano. Alternativa que inventa assunto novo está sempre errada.
C ✔ O dever humano é o motivo superior, “inclusive à legislação” (= até maior que a lei). É o “mas porque” vencendo o “não porque”.
D ✘ Diz que perceber que somos todos iguais é “dispensável” (= não precisa). O texto inteiro defende o oposto: essa percepção é a base de tudo — “naquilo que nos torna semelhantes, somos iguais” (linhas 16 e 17) e por isso “Devemos respeitar os outros”.
E ✘ Fala em “recusa ao respeito” como se o texto admitisse não respeitar. O texto manda o contrário, com o verbo devemos: “Devemos respeitar os outros por mais que eles sejam diferentes” (linha 17).
💡 Atalho de prova: toda vez que aparecer a dupla “não… mas…” (ou “não é X, e sim Y”), circule as duas partes: o que vem depois do mas é sempre o que o autor defende; o que vem depois do não é o que ele está afastando. Aí olhe as alternativas — uma delas vai repetir a parte afastada só para pegar quem leu com pressa.
⚠️ Escorregão comum: achar que “o dever humano é maior que a lei” significa “a lei não serve para nada” e, por isso, recusar a letra C. O texto não desmerece a constituição; ele só diz que o respeito não depende dela para existir.
Resolução — Questão 24 (um conta história, o outro explica uma ideia)
🎯 O que ela quer: os dois textos falam do mesmo assunto (ser diferente), mas de jeitos diferentes. A questão pergunta qual alternativa acerta a finalidade — ou seja, para que serve cada texto.
1Que tipo é o Texto 1? Ele tem personagem (Raimundo Pelado), lugar (Cambacará, Tatipirun), coisas que acontecem uma depois da outra e gente conversando: “— Eu queria saber se isto aqui é o país de Tatipirun, começou Raimundo.” (linha 19). Isso é narrativo. Narrar = contar uma história.
2Que tipo é o Texto 2? Não tem personagem nem história nenhuma. O autor levanta uma ideia e vai dando as razões dela: “Somos ‘todos diferentes’, pelo menos à vista desarmada.” (linha 5) e “Somos ‘todos iguais’, certo, mas como?” (linha 9). Isso é expositivo. Expor = mostrar, explicar uma ideia para o leitor entender.
3A prova da resposta está na parte final do Texto 2: “Portanto, somos diferentes por fora, mas, naquilo que nos torna semelhantes, somos iguais.” (linhas 16 e 17). É exatamente o que a letra D diz: o Texto 2 demonstra, expondo ideias, que somos todos diferentes e também todos iguais.
A ✘ o Texto 1 não é descritivo nem informativo — ele conta uma história, não passa informação “direta e objetiva” · B ✘ troca as bolas: quem usa narrativa e tem personagem é o Texto 1, não o Texto 2 · C ✘ quem convence com argumentos é o Texto 2; o Texto 1 não argumenta nada · D ✔ o Texto 2 expõe ideias para demonstrar que somos diferentes por fora e iguais por dentro · E ✘ o começo está certo (o Texto 1 é narrativa mesmo), mas o fim está errado: ele não ensina “um conjunto de práticas” para a pessoa se encaixar na sociedade — isso seria um manual de regras. Ele só conta a aventura de Raimundo.
✅ Resposta: letra D
💡 Atalho de prova: quando a questão falar em “finalidade” ou “gênero”, não releia tudo — procure três marcas. Tem personagem, tempo e diálogo → narra (conta história). Tem “portanto”, “pois”, “devemos” e o autor defendendo uma ideia → expõe/argumenta. Tem passo a passo ou lista de instruções → instrui. E antes de julgar qualquer alternativa, confira se ela está falando do Texto 1 ou do Texto 2: metade delas troca os dois de lugar de propósito.
⚠️ Escorregão comum: ler só o comecinho da alternativa. As letras D e E começam certas (“No Texto 2… exposição de ideias”, “No Texto 1… narrativa”) — a diferença está no FIM da frase. Leia a alternativa inteira, até o ponto final.
Resolução — Questão 25 (o “ou” que soma em vez de escolher)
🎯 O que ela quer: descobrir que ideia a palavra ou acrescenta nessa frase — não a regra decorada de gramática, e sim o sentido dentro do texto.
1Leia a frase inteira: “A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole” (linhas 10 e 11). Duas traduções: fomentar = estimular, fazer crescer; índole = tipo, natureza. Em português simples: proteger contra discriminação de raça, de religião… e de qualquer outro tipo.
2Teste o que o “ou” faz aqui. Normalmente o “ou” manda escolher um: “café ou suco” = um dos dois. Mas aqui não dá para escolher! A criança tem de ser protegida das três coisas ao mesmo tempo. Então esse “ou” não está separando: está somando mais um item à lista. Somar item à lista é incluir.
3A prova no próprio texto: o Princípio I usa a mesma construção, e lá fica escancarado que a lista não deixa ninguém de fora — “sem qualquer exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza” (linhas 6 e 7). Esse “ou de outra natureza / ou de qualquer outra índole” existe para incluir tudo o que não foi citado.
A ✘ conclusão pediria “portanto, logo, por isso” — o “ou” não fecha raciocínio nenhum · B ✘ condição pediria “se, caso, desde que” · C ✘ comparação pediria “como, tal qual, mais do que” · D ✘ explicação pediria “porque, pois, já que” · E ✔ inclusão: acrescenta “qualquer outra índole” às discriminações já citadas.
✅ Resposta: letra E
💡 Atalho de prova: quando a questão perguntar “que ideia esse termo dá”, não vá pela lista decorada — troque a palavra por outra e veja se a frase continua fazendo sentido. Aqui, troque “ou” por “e também”: “discriminação racial, religiosa e também de qualquer outro tipo”. Encaixou perfeito → é inclusão. Se coubesse “portanto”, seria conclusão; se coubesse “se”, seria condição; se coubesse “porque”, seria explicação.
⚠️ Escorregão comum: responder no automático “ou = alternativa, escolher um dos dois”. A mesma palavrinha muda de sentido conforme a frase — quem decora sem testar no texto erra esta questão.
Resolução — Questão 26 (universal = vale para todos)
🎯 O que ela quer: achar a palavra que pode substituir “UNIVERSAL” no título sem mudar o sentido — e o comando dá a pista de onde olhar: “levando-se em conta o descrito no ‘Princípio I’”.
1Vá direto ao Princípio I, porque o enunciado mandou. Lá está: “Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião…” (linhas 5 a 8). Outorgados = concedidos, dados.
2Traduza: vale para TODAS as crianças, SEM EXCEÇÃO. Uma regra que vale para todos, sem exceção, é uma regra geral. Achou a resposta antes mesmo de olhar as alternativas.
3Confirme substituindo no título: “Declaração Geral dos Direitos das Crianças” — continua verdadeiro. “Declaração Nacional…” — vira mentira, porque o subtítulo diz “SEM DISTINÇÃO DE RAÇA, RELIGIÃO OU NACIONALIDADE” (linhas 3 e 4).
A ✔ GERAL = vale para todos, sem exceção; é o próprio Princípio I · B ✘ NACIONAL limita a um país só, e o texto diz justamente que não há distinção de nacionalidade · C ✘ INDIVIDUAL = de uma pessoa só, o oposto de “todas as crianças” · D ✘ INTERNACIONAL fala de relação entre países; a Declaração não protege países, protege cada criança, venha de onde vier · E ✘ INTERPLANETÁRIA = de outros planetas; exagero, o texto fala das crianças do mundo.
✅ Resposta: letra A
💡 Atalho de prova: quando o enunciado disser “levando em conta o trecho X” ou “de acordo com a linha Y”, a resposta está DENTRO desse pedaço — vá lá primeiro e sublinhe as palavras-chave, antes de ler as alternativas. E sinônimo em prova se testa de um jeito só: coloque a palavra no lugar da original e releia a frase. A que mantiver a frase verdadeira é a certa.
⚠️ Escorregão comum: marcar INTERNACIONAL porque a UNICEF é uma organização internacional e a palavra parece “mais importante”. A questão não pergunta o que é a UNICEF; pergunta o sentido de “universal” segundo o Princípio I — e lá está escrito “todas… sem qualquer exceção”.
Resolução — Questão 27 (a charge das gaiolas na cabeça)
🎯 O que ela quer: dizer qual é a finalidade da charge — a mensagem que ela quer passar — juntando o desenho (linguagem não verbal) com as falas (linguagem verbal).
1O que se vê no desenho: uma multidão de pessoas em pé. Cada uma tem uma gaiola na cabeça, e dentro de cada gaiola há um pássaro preso. No meio, um homem de camisa amarela e calça azul ergue o braço: a gaiola dele está aberta e o pássaro voa para fora, livre, no céu. Alguém do grupo pergunta: “ESTÁ MALUCO?”. E vem a resposta: “ÀS VEZES, PRA SER FELIZ, BASTA FAZER O CONTRÁRIO DO QUE SEMPRE FEZ.”
2A gaiola não é gaiola de verdade — é símbolo. Gaiola na cabeça = ideias presas, hábitos repetidos, o “do que sempre fez”. Soltar o pássaro = se libertar disso. Todo mundo continua com o pássaro preso; só ele soltou.
3Some as duas linguagens: a fala diz “basta fazer o contrário do que sempre fez” e o desenho mostra o pássaro saindo da gaiola. Conclusão: a felicidade veio de um ato que libertou. É exatamente a letra E — “atos que nos libertam de aprisionamentos a que estamos submetidos”. Aprisionamento = estar preso; submetidos = obrigados a viver assim.
A ✘ ele não é vítima: está livre e tranquilo, e quem pergunta “Está maluco?” só está estranhando, não maltratando · B ✘ não existe nenhuma regra na cena para ser desrespeitada; a charge aprova o que ele fez, não o acusa · C ✘ a fala não diz nada sobre chamar atenção; o que ela elogia é fazer diferente, e o ganho é a liberdade, não a plateia · D ✘ é o contrário exato da fala: a charge defende fazer o contrário, não diz que é má saída · E ✔ ensina que a felicidade pode vir de um ato que liberta.
✅ Resposta: letra E
💡 Atalho de prova: em charge e tirinha, escreva você mesmo duas frases antes de olhar as alternativas: (1) o que a IMAGEM mostra — “todos com um pássaro preso na cabeça, um soltou o dele”; (2) o que a FALA diz — “fazer o contrário traz felicidade”. A alternativa certa é quase sempre a que usa as DUAS. Alternativa que se agarra a um pedacinho só (como a letra A, presa ao “Está maluco?”) costuma ser isca.
⚠️ Escorregão comum: achar que “Está maluco?” é o assunto da charge. Essa pergunta é só o espanto dos outros; ela serve de gancho para a frase seguinte. A mensagem está na segunda fala e no pássaro voando.
Resolução — Questão 28 (o “IM” riscado no cartaz)
🎯 O que ela quer: o cartaz risca o IM de IMPERFEITOS com um “X”, virando PERFEITOS. Isso é uma conclusão sobre os personagens. A questão pede o trecho do Texto 6 que diz essa mesma coisa, só que com palavras.
1O que se vê no cartaz: em letras grandes, “A DIVERTIDA HISTÓRIA DOS BONECOS IMPERFEITOS”, com as duas letrinhas IM cortadas por um X. Embaixo, os bonecos coloridos e tortos, sorrindo e abraçados.
2Traduza o risco. “IM-” é um prefixo (pedacinho colado na frente da palavra) que nega: possível → impossível; perfeito → imperfeito. Riscar o IM desfaz a negação. Ou seja: chamam os bonecos de imperfeitos, mas o cartaz afirma que, do jeito que são, eles já estão perfeitos.
3Cace no Texto 6 a frase com essa mesma conclusão: “e, finalmente, descobrem que não é preciso ser perfeito para ser incrível. Afinal, o que mais importa é quem você realmente é” (linhas 4 e 5). As palavras “finalmente” e “afinal” avisam que ali é o fecho da história — igualzinho ao risco, que é o fecho sobre os personagens.
A ✘ fala da origem do filme (marca de sucesso nos Estados Unidos); é informação de apresentação, não conclusão · B ✘ é o problema da história (eles “enfrentam”, “lutam”) — o começo do conflito, não o final · C ✔ é a conclusão: não é preciso ser perfeito; o que importa é quem você é · D ✘ conta quem criou os bonecos e que a marca fez sucesso; bastidor, não conclusão · E ✘ descreve como eles são (diferentes pela “feiura”), mas não diz que não é preciso ser perfeito.
✅ Resposta: letra C
💡 Atalho de prova: quando a questão pedir “o trecho que representa a conclusão”, procure as palavras que marcam fim de raciocínio: finalmente, afinal, portanto, então, no fim, por isso. No Texto 6 elas estão todas na mesma frase — a resposta se entrega sozinha antes mesmo de você comparar as cinco alternativas.
⚠️ Escorregão comum: cair na letra E só porque ela é a única que fala de “feiura” e parece combinar com o cartaz. Combinar de assunto não basta: a questão pede o trecho que traz a CONCLUSÃO (“não é preciso ser perfeito”), e a letra E apenas descreve a aparência dos bonecos.
Resolução — Questão 29 (o que o texto diz em palavras, o cartaz mostra em desenho)
🎯 O que ela quer: juntar o cartaz (Texto 5, que fala por imagem) com a sinopse (Texto 6, que fala por palavras) e achar a única alternativa verdadeira sobre essa dupla.
1O que se vê no cartaz: bonecos de formas estranhas e cores berrantes — um com um dentão para fora, outro com olhos de tamanhos diferentes, corpos gordinhos e tortos, rosa, azul, laranja, verde. Todos sorrindo, juntinhos, de braços abertos. No alto, o título com o “IM” riscado.
2Agora ache a ponte. O Texto 6 diz com palavras: “os personagens de UglyDolls são diferentes justamente por seu aspecto de ‘feiura’” (linhas 7 e 8). O cartaz diz a mesma coisa sem escrever nada: basta olhar os bonecos. Palavra escrita = linguagem verbal; desenho = linguagem não verbal. É exatamente o que a letra E afirma.
3Confira uma alternativa por vez — nesse tipo de questão quase sempre há uma palavrinha falsa escondida no meio de uma frase verdadeira (veja o quadro abaixo).
A ✘ cor não revela caráter (o jeito de ser). Nenhum dos dois textos diz que rosa significa uma personalidade e azul outra — isso a alternativa inventou · B ✘ é o oposto do texto: “as diferenças são celebradas e abraçadas” (linha 9) e “não é preciso ser perfeito para ser incrível” (linha 4) mostram que eles valorizam muito além da beleza · C ✘ sinônimo é palavra com o mesmo sentido, e essas três não têm: “brinquedos de pelúcia” é o brinquedo de verdade, “UglyDolls” é o nome da marca e do filme, “bonecos” é a palavra geral do cartaz · D ✘ no cartaz eles estão sorrindo, não tristes. A citação no fim da alternativa é verdadeira (“amados por crianças, adolescentes e adultos”, linha 7), mas o começo é falso — e meia frase falsa derruba a alternativa inteira · E ✔ o que o Texto 6 conta em palavras (o aspecto de “feiura”) está mostrado no cartaz sem nenhuma palavra.
✅ Resposta: letra E
💡 Atalho de prova: quando a questão cruzar imagem com texto, escreva a ponte você mesmo antes de ler as letras: “o Texto 6 fala em feiura → o cartaz mostra a feiura”. Depois é só procurar a alternativa que repete a sua frase. E use a regra do “tudo ou nada”: basta UMA palavra falsa (“tristeza”, na letra D) para a alternativa inteira cair, mesmo que o resto dela esteja copiado do texto.
⚠️ Escorregão comum: aceitar a letra D porque a citação dentro dela existe mesmo no texto. A prova adora colar uma citação verdadeira numa afirmação falsa. Leia a alternativa em pedaços e dê um ✔ ou um ✘ para cada pedaço.
Resolução — Questão 30 (por que “feiura” está entre aspas)
🎯 O que ela quer: explicar o motivo das aspas em “feiura” (linha 8 do Texto 6). Aspas sempre dão um aviso ao leitor — a questão quer saber qual aviso é esse.
1Leia a frase inteira, com as vizinhas: “os personagens de UglyDolls são diferentes justamente por seu aspecto de ‘feiura’ e vivem num maravilhoso uglyverso, onde as diferenças são celebradas e abraçadas” (linhas 7 a 9). Logo antes: “Amados por crianças, adolescentes e adultos” (linha 7).
2Compare com o sentido de sempre. No dia a dia, “feiura” é defeito, coisa ruim. Mas no texto ela aparece cercada de maravilhoso, celebradas, abraçadas, amados. Aqui a feiura virou qualidade: é justamente por causa dela que os personagens são amados.
3Dê o nome a isso: quando uma palavra é usada com um sentido novo, diferente do habitual, dizemos que ela foi ressignificada (re + significado = ganhou um novo significado). As aspas são o aviso: “atenção, leitor, aqui não é no sentido comum”. É a letra A.
A ✔ ressignificação: a palavra ganha um sentido novo, positivo · B ✘ não é fala copiada de ninguém; não há personagem nem outra pessoa sendo citada ali · C ✘ “feiura” não é gíria nem linguagem informal; é palavra comum, que está no dicionário · D ✘ ironia é dizer o contrário para zombar, e aqui não há zombaria nenhuma — o texto elogia os personagens · E ✘ é exatamente o contrário: as aspas avisam que o sentido NÃO é o convencional (o de sempre).
✅ Resposta: letra A
💡 Atalho de prova: quando a questão perguntar por que algo está entre aspas, teste quatro possibilidades nesta ordem: (1) é fala de alguém, copiada? (2) é gíria ou palavra estrangeira? (3) é ironia, zombando? (4) a palavra está com sentido diferente do normal? Para decidir, olhe as palavras VIZINHAS. Aqui as vizinhas são “maravilhoso”, “celebradas”, “abraçadas” — elogio, não zombaria → sobra a opção 4, sentido novo.
⚠️ Escorregão comum: confundir ironia com ressignificação. Nas duas a palavra foge do sentido comum, mas a ironia debocha e a ressignificação valoriza. Pergunte: o autor está rindo de alguém? Aqui não está — ele está do lado dos bonecos.